
Estreia hoje uma seção de entrevistas, que não é o Você me conta, feito com crianças e seus livros. No Quero Saber, saio fazendo perguntas para alguém que trabalha (e se diverte) com histórias infantis. Com vocês, minha talentosa amiga e ilustradora, Tartaruga Feliz, que deixou o asfalto de São Paulo para andar por jardins parisienses. Divirtam-se!
De onde vem seu nome?
Ah, este é um mistério muito antigo… Ele foi passado a mim por uma tartaruga que encontrei nas Ilhas Galápagos e ela me disse que foi passado a ela e a outros membros da família por gerações…
Imagino que você tenha crescido, mas nunca parado de desenhar. É isso mesmo? E quantos anos você tem?
É verdade que meu corpo deu uma espichada nos últimos anos (não muito, na verdade), mas não posso dizer que sou uma tartaruga totalmente crescida… E essa história de desenhar veio com o tempo… Comecei a desenhar mesmo há uns 10 anos e percebi que era o que eu mais amava no mundo! E você sabe, as tartarugas podem viver até 200 anos, eu tenho somente 30, então sou muito nova para minha espécie, hahahahaha.
O que pode ser inspirador para uma tartaruga?
Adoro assistir aos desenhos animados! Os desenhos me dão sensação de liberdade total, sem limites. Em um desenho animado, absolutamente tudo é possível! E eu também tenho essa sensação quando eu vejo o mar… Ah, o oceano… E também os meus amigos. Eles são uma fonte de inspiração infinita para mim.
E você é sempre feliz?
Eu acho que é impossível alguém ser sempre feliz. Mas posso dizer que na maior parte do meu tempo, me sinto feliz.
Como é que você desenha? Me conta do seu processo, suas técnicas, suas cores e traços?
Humm, acho que vou responder essa pergunta com uns desenhos, posso? Eu uso uma tablet (que é aquela mesinha de desenho que você pluga no computador) direto no computador. Eu não uso formas prontas, eu sempre desenho como se estivesse usando um papel (por exemplo, se eu tiver que desenhar um quadrado, eu não uso o que vem pronto do programa, eu redesenho todo “à mão”).
Daí com a caneta eu faço um rascunho da ideia. E não me preocupo muito com acabamento porque essa etapa vem depois. Começo pelos personagens e então faço o cenário e os detalhes.
Por fim, coloco as cores. Essa parte é a minha preferida. Na verdade, se eu pudesse ficaria dias em cada desenho escolhendo as cores, vendo todas as possibilidades de combinações… É muito divertido!
Que lindo! E o que é esse desenho?
É para um livro que estou ilustrando que vai ser lançado em e-book em breve!
Sei que você já desenhou até os penguins do Club Penguin. Como toda criança ama esse clubinho, fala pra gente como é estar perto dele. O que você fazia naquele iglu?
Eu ficava com um frio danado, mas me divertia muito com os pinguins. A minha função no iglu era cuidar de todo o design e desenhos para a versão em português do jogo, sempre pinguinando!
E essa história de começar a fazer animação interativa? Como é isso?
É autoexplicativo! É uma animação para você interagir, participar da história. Em julho, o primeiro de uma série de episódios fica pronto. Você pode ser informado entrando na nossa página do Facebook.
E também tem este vídeo maravilhoso…
Faz pouco tempo você saiu de São Paulo para morar em Paris. Quem são os autores e ilustradores infantis brasileiros e franceses que tocam seu coraçãozinho? E você gosta de quadrinhos?
Aqui na França tem uma ilustradora que eu adoro, ela se chama Marjolaine Leray. Ela tem uma característica que eu admiro muito nos franceses, que é a capacidade de unir a simplicidade com o refinado e o de bom gosto. As animações que ela faz são muito legais também. O Arnaud Boutin é um ilustrador com um estilo bem diferente da Marjolaine, que eu também gosto muito. E no Brasil, talvez seja um pouco óbvio, mas um dos que eu mais gosto é o Ziraldo. Principalmente por causa do Jeremias, o bom… E do Fernando Gonsales, Maurício Pierro, Carlos Araujo, Maria Eugênia, Zé Otavio, Cárcamo, ih a lista vai longe. E eu gosto sim de quadrinhos – tem até uma seção no meu blog só de quadrinhos! Gosto da Mafalda, do Niquel Nausea, do Petit Spirou que depois vira o Gaston e também gosto de um ilustrador que se chama Daniel Lafayette, que faz umas tirinhas de chorar de rir!
Além das revistas da Bayard, quais são os títulos infantis mais legais da França? E os jornais? Eles dedicam espaço às crianças?
Eu gosto de uma revista, a Moi Je lis, acho ela incrível, cheia de histórias ilustradas por gente talentosa. Tem algumas revistas que são mais tradicionais, como o Le Petit Spirou e o Gaston que eu citei acima, o Asterix e Obelix, que todo mundo adora e que são os mais famosos. E eu acho que eles dedicam muito espaço às crianças sim, não só através de incentivos com jornais e revistas, mas também com feiras de livros que acontecem durante o ano todo em várias partes da França. Acho que as crianças francesas são apaixonadas por livros, histórias e desenhos.
Para terminar, diga a tartaruguice que quiser. Pode ser sem palavras, só com imagens…
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Tags:conversa, e-book, entrevista, França, ilustração, Quero saber, Tartaruga Feliz