Se você vem sempre aqui, deve ter lido no post da boneca de barro um último comentário sobre minha avó. Dizia assim:
Memória. Quando criança, minhas férias eram no interior, rodeada de primos. E essa boneca poderia ser minha avó Belíria, que engatava deliciosas e assustadoras histórias do sítio em que ela cresceu. Pasmada, me lembro de manter os olhos fechados na hora da bola de fogo que corria o pasto e sumia no horizonte. Rapidamente, cobria meus pés com medo de um espírito puxar meu dedão. E puxava! Não o espírito, mas meus irmãos! Cada susto, coisa boa de lembrar!
Pois dito, a vozinha nunca deixou de contar histórias. Mas como os netos cresceram e perderam o medo de fantasmas (menos eu, que ainda me mordo toda!), os causos de sítio se transformaram em lindos poemas, genuínos. Vó Belíria tira do peito palavras que só um coração sem disfarce pode ter. É como se estivesse regando uma de suas orquídeas. Escorreita, esmerada.
No vídeo, que eu fiz questão de registrar mês passado, minha poeta é só amor. Mas um amor, assim, de ver nos olhos o homem da sua vida, carinhosamente apelidado por mim, desque que me conheço por pequena gente, do vô Chuchu, o eterno.
E lembrando: a poesia é um dos gêneros mais trabalhados com as crianças. É que a rima, aparentemente fácil de criar, encanta todo aprendiz de escritor, leitor. Pena que depois, nas escolas, ela fique um pouco de lado. Para mim, falar de poesia é falar também de haicai. E falar de haicai é falar de Leminski (que conheci melhor com o Beto e passei a amar), e de Alice Ruiz. Como uma coisa puxa a outra, lembrei da matéria que fiz sobre isso para o Estadinho, aqui.




