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Minha poeta mambira

29 mar

Se você vem sempre aqui, deve ter lido no post da boneca de barro um último comentário sobre minha avó. Dizia assim:

Memória. Quando criança, minhas férias eram no interior, rodeada de primos. E essa boneca poderia ser minha avó Belíria, que engatava deliciosas e assustadoras histórias do sítio em que ela cresceu. Pasmada, me lembro de manter os olhos fechados na hora da bola de fogo que corria o pasto e sumia no horizonte. Rapidamente, cobria meus pés com medo de um espírito puxar meu dedão. E puxava! Não o espírito, mas meus irmãos! Cada susto, coisa boa de lembrar!

Pois dito, a vozinha nunca deixou de contar histórias. Mas como os netos cresceram e perderam o medo de fantasmas (menos eu, que ainda me mordo toda!), os causos de sítio se transformaram em lindos poemas, genuínos. Vó Belíria tira do peito palavras que só um coração sem disfarce pode ter. É como se estivesse regando uma de suas orquídeas. Escorreita, esmerada.

No vídeo, que eu fiz questão de registrar mês passado, minha poeta é só amor. Mas um amor, assim, de ver nos olhos o homem da sua vida, carinhosamente apelidado por mim, desque que me conheço por pequena gente, do vô Chuchu, o eterno.

 

E lembrando: a poesia é um dos gêneros mais trabalhados com as crianças. É que a rima, aparentemente fácil de criar, encanta todo aprendiz de escritor, leitor. Pena que depois, nas escolas, ela fique um pouco de lado. Para mim, falar de poesia é falar também de haicai. E falar de haicai é falar de Leminski (que conheci melhor com o Beto e passei a amar), e de Alice Ruiz. Como uma coisa puxa a outra, lembrei da matéria que fiz sobre isso para o Estadinho, aqui.

Coleção Shel Silverstein

2 jun

Um dos meus autores favoritos, Silverstein tem um jeito tão original de usar as palavras e as imagens que só mesmo entrando no universo dele para entender. Conheço cinco livros e alguns papéis avulsos desse poeta, escritor e cartunista americano, morto em 1999. E sempre bate uma vontade de apresentar suas obras para quem ainda não conhece. Quando isso acontece, fico feliz! Feliz como agora, ao entrar no site dele e descobrir que sua família tirou uma leva de poemas da gaveta para lançar em setembro, pela HarpersCollins. Por falar em poesia, Abril foi o mês da tal e, merecidamente, Shel ganhou uma apostila de atividades e brincadeiras com as palavras que, muito felizmente, dá pra baixar aqui, no mesmo lugar onde está a notícia do novo livro e de uma animação superdivertida chamada Máquina de Fazer Lição de Casa – como tudo, com ironia e uma característica dicotômica de deixar toda criança em dúvida: “isso é legal ou não?”.

Mais livros? Quem quer este rinoceronte?; Leocádio, o leão que mandava bala; Fuja do Garabuja e Uma girafa e tanto. Tá tudo aqui! E, claro, por último, A Árvore Generosa, que na década de 60 imortalizou Shel como escritor de livros infantis. Logo ele, que serviu ao exército, escreveu sobre guerras, foi cartunista da Playboy…
Há uma série de animações sobre The Giving Tree na internet. Eu optei por colocar aqui uma de 74, narrada pelo próprio autor. Ah, sim, pode chorar depois de ver e pensar um bocado na vida, se quiser… É bonito (e triste) por demais.

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