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Dia do Andersen

1 dez

A agenda do Beto diz que o Andersen publicou seu primeiro livro em 1 de dezembro de 1935. O ano eu posso confirmar, mas o dia, para mim, é dúvida. Em todo caso, lembrei de uma matéria que fiz sobre o pai dos contos de fadas, enquanto trabalhava no Estadinho com a Aryane Cararo (minha ex-chefe, editora do caderno, parceira nessa reportagem).

Soldadinho de Chumbo, Pequena Sereia… Mais do que adaptar contos populares, ele criava as histórias. E fazia isso brincando de teatro de sombras com as caixas de sapato do seu pai. Talentoso, teve o estudo financiado e se tornou imortal. Mas nunca deixou de ser o Patinho Feio.

Tudo no blog do caderno.

Boneca de barro

28 nov

Cenário de vilarejo, ano de 1964. Foi em Cochiti Pueblo, Santa Fé, que a ceramista Helen Cordero criou um boneco de cerâmica rodeado por crianças. O homem de barro foi inspirado em seu avô, um excelente contador de histórias chamado Santiago Quintana, o homem que vivia para preservar a cultura popular. A coisa foi passando de mãos em mãos até que nasceu a ‘Singing Mother’, esta bonequinha aí de cima, um dos maiores símbolos da contação de história.

E o nome da Helen é ainda hoje sinônimo de uma arte popular que ultrapassou todo tipo de fronteira para se manter viva. Claro que a cultura da cerâmica sempre foi uma tradição no vilarejos, desde muito tempo atrás. Fato é que a Helen assumiu uma figura que dialoga com a arte de contar histórias, que liga completamente uma coisa a outra. E a bonequinha passou a ser feita por muitas pessoas, gente que nunca nem tinha colocado as mãos no barro!

Da tradição oral, história passada de boca em boca, tantas lendas preciosas, rimas, cordéis, contos populares. Escrevê-los, portanto, era uma forma de registrá-los e garantir que nunca, nunquinha, os personagens pudessem se perder no tempo.

O livrinho The Storyteller (Mary Packard) tem uma coleção de antigas histórias, preservadas e contadas aqui por antropólogos, historiadores e escritores que tiveram contato com povos indígenas. É coisa linda em nove capítulos escritos em inglês e que, para melhorar, vem numa caixa com a tal da boneca! Presente de aniversário de uma amiga que vive a contar histórias! E que eu, certamente, não podia deixar de passar adiante. Exatamente como essa cultura deve ser!

Memória. Quando criança, minhas férias eram no interior, rodeada por primos. E essa boneca poderia ser minha avó Belíria, que engatava deliciosas e assustadores histórias do sítio em que ela cresceu. Pasmada, me lembro de manter os olhos fechados na hora da bola de fogo que corria o pasto e sumia no horizonte. Rapidamente, cobria meus pés com medo de um espírito puxar meu dedão. E puxava! Não o espírito, mas meus irmãos! Cada susto, coisa boa de lembrar!

Livros para começar

23 nov

Aqui no Reino Unido, toda criança tem direito a um pacote de livros grátis. Funciona assim: se o pediatra não entregar, os pais podem solicitar na biblioteca pública mais perto de casa. E depois, entre três e quatro anos, pouco antes de a criança entrar na escola, um novo pacote é entregue. Tudo para ajudar a família a explorar a leitura em casa. Além dos livros, tem dicas e uma espécie de clube online para reunir atividades e interesses.

Foi sobre isso que eu falei na Revista Emília. Clique aqui para ler.

Kombi, minha primeira ilustração

2 nov

Faz tempo que ensaio me arriscar no desenho, naquele feito de traço fofo e infantil, uma coisa meio kawaii e que eu amo, amo. Pois foi isso que fiz hoje! Inspirada no livro Illustration School – Let’s Draw Cute Animals, coloquei no mundo meu primeiro personagem ilustrado!

O Kombi ainda tá meio quadrado, suas orelhas podem crescer um pouco e, quem sabe, as pernas serem mais parecidas. Só que neste momento é isso o que temos. Acho que ele não vai se importar se eu passar alguns dias mudando um pouco sua aparência e até trocando essa coleira de peixe por algo mais charmoso. Ele me parece simpático e tem focinho de coração, ou seja, vou ficar amiga dele e ver no que dá!

Sobre desenhar, é uma pena que a gente cresça e substitua totalmente o desenho pela escrita. Desenhar é nossa primeira linguagem, forma de comunicação. É quando a gente coloca coisas para fora, se expressa (fazendo sentindo ou não), trabalha toda a imaginação e cria no papel um mundo cheio de possibilidades. Se fôssemos mais estimulados nas escolas (não só quando pequenos) talvez pudéssemos fazer as três coisas muito bem: desenhar, ler e escrever.

Durante os dois anos que passei no Estadinho, a parte mais gostosa do trabalho sempre foi abrir os envelopes que chegavam com desenhos. E depois ficou ainda melhor quando criamos um flickr para poder publicar as inúmeras obras de arte que pipocavam em nossas mesas. Aliás, eu recomendo uma visita ao flickr diariamente. Se você gosta de desenho infantil, ele é um acervo lindo e inédito, uma coleção de cor e sensibilidade!

Sobre o livro que me inspirou (esse aí de cima), indico ele e os outros dois títulos da artista Sachiko Umoto (pessoas felizes e plantas e pequenas criaturas). São incríveis, fáceis de seguir e cheios de delicadeza e humor.

Ah, só como registro, o post vai para a Baleia, a cachorra mais linda e incrível do mundo, que me aprontou essa quando eu estava de partida:

 

Agora é um livro de dedoche

28 out

No embalo de contar histórias com os dedos, tá aqui a dica da Laura Teixeira, outra ilustradora que eu admiro pacas – foi ela que postou o Fortune Books #2 no mural do facebook.

O Fortune Books #2, “a book with a cookie inside” é um livrinho artesanal de oito páginas, 150 impressões, dos autores Antonio Ladrillo e Michael Swaney. Custa 4 euros e é divertido demais! A primeira versão do projeto, aliás, tá imortalizada no Issuu, dá só uma olhada!

Além dessas duas invenções, a Éditions du livre trabalha com um bocado de coisas,  formatos diferentes e ideias malucas para livros. Para quem está em Paris (alô, Tarta!), tem festa no dia 13 de novembro:

Tudo depende da relação

23 out

Semana passada eu entrevistei o artista indiano Raghava KK para falar sobre seu novo livro/app para crianças, o POP-IT!
Ele funciona na base do chacoalhão para tratar de um assunto que ainda é tabu entre muitos pais e filhos: homossexualidade. Raghava é uma pessoa ótima que acredita que as crianças só vão se tornar adultos legais se souberem, desde muito cedo, que não existe uma única realidade. E essa coisa de perspectiva tem muito a ver com a própria história dele – que é hindu, estudou em colégio católico e cresceu em bairro muçulmano. O que ele defende é que o ideal é a gente não sair julgando o mundo e as pessoas. Antes de tudo, é preciso separar os fatos dos preconceitos. E deixar que a criança cresça sabendo de tudo, sem uma única versão ou modelo do que é a vida, a verdade, o certo.

 

Antes do chacoalhão, mãe e pai dão banho no filho. Mas é só agitar o iPad para ver dois pais ou duas mães com a criança

A matéria foi publicada no Opera Mundi e você pode ler aqui.

Soltaram o Pum no iPad

16 ago

Foi ontem à tarde, mas eu só me dei conta dele durante a noite. Fazendo buscas, lá estava o Pum em versão iPad. É o primeiro título da Cia. das Letrinhas para o tablet. Não conhece o livro?

Um texto simples para uma ideia muito bem sacada. De início, Quem Soltou o Pum diverte bem ao narrar a história de um cachorrinho que não gosta de ficar preso e que, quando é solto, emporcalha, faz barulho, toma chuva e fica molhado e fedido. Tudo se passa em uma casa, onde o garotinho que é dono do cachorro tem de aguentar cara feia dos pais e da vizinhança, de tanta bagunça que o Pum faz. É aí que o livro ganha pontos: cachorro, garoto, família, bagunça. E um texto engraçado, com ilustrações simples e cômicas. Tudo feito pelo casal Blandina Franco e José Carlos Lollo.

Eu gostei da nova versão, mas senti falta de algumas coisas. De interessante, algumas páginas são animadas, não fica só naquela coisa de arrastar objetos. Ele brinca com a surpresa, com movimentos e com uma tela, em especial, na página oito, em que é possível acender o abajur e encontrar o Pum debaixo do edredon. Além de ficar claro e escuro, mesmo quando você tira o Pum dali, não tem jeito: ele volta correndo para cama do dono.

A interação segue bem tranquila e para mudar de tela basta clicar em patinhas vermelhas, localizadas como setas nos cantos esquerdo e direito. Em uma das cenas, dá para multiplicar as patinhas, é fofo. Legal também é que se você escolher ouvir a narração, quem conta a história é um garoto. A voz é ótima e a leitura está impecável.

Mas não há muito além disso. E o que eu me pergunto é: até que ponto vale adaptar um livro para o iPad, sem criar muita coisa? Porque, no fim das contas, é o que se vê por aí: algumas adaptações, pouca criação. Embora seja legal ter o livro nesse novo formato, a Cia das Letrinhas poderia ter elaborado alguns extras. Não há. No menu, apenas uma opção: escolher com ou sem narração.

No entanto, quão legal seria poder brincar mais com esses personagens, sem perder a narrativa? Podia ser algum vídeo, uma forma de recontar e gravar a própria história, uma lista de outros ótimos nomes pro cachorro, não sei. A ideia é focar na leitura? E por que não partir do zero, de um livro que não existe no papel?

Já falei de tablet algumas vezes (clique aqui pra ver o que saiu nessa tag). Mas, no próximo lançamento eu prometo comparar os livros que já existem em português para o público infantil. Só como uma forma de sentir como a coisa vai se desenvolvendo.

O aplicativo custa 8,99 dólares. E qualquer criança a partir dos 4 anos vai gostar.

Quem Soltou o Pum – iPad
Cia. das Letrinhas
Autores: Blandina Franco e José Carlos Lollo
$ 8,99
Recomendação: + 4

ATUALIZAÇÃO: A Júlia Moritz Schwarcz, editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras, escreveu aqui para o blog uma mensagem que eu quero compartilhar (para ler inteira, clique aqui). Além de explicar algumas coisas, ela disse que esse é o primeiro teste e que sempre é possível incrementar, oba! Ela também escreve a cada 15 dias no blog da Companhia. Seu último texto, do dia 8, foi sobre o iPum – nome fofo que ela achou para falar do Pum no iPad. Ali, ela conta um pouco sobre o processo, o trabalhão que deu, as zilhões de reuniões e ideias e a dificuldade quando se trata de tecnologia, hoje. Veja só!

Pequenos e encantadores

19 jul

A los animales diminutos se les puede encontrar:
En orillas de ventanas,
fondos de jarrones,
nidos de zorzal,
ramas de níspero,
raíces de árbol.

Sólo hay que seguir ese zumbido
que se cuela por la rendija del mundo.

Seguir ese zumbido
y mirar atentamente.

El Baile Diminuto é um livro de poemas sobre os pequenos e encantadores seres. Ele chegou aqui em casa voando, veio pela mala do amigo João (que já escreveu para o blog), é pai do Julio (que também me contou algumas coisas) e, mais do que isso, foi quem me deu de presente a amiga María José Ferrada, autora do livro e, ao lado de Francisca Yañez, dona da menor e mais querida editora de livros chilena do mundo: a Libros del Snark.

Amanhã, às 19 h, em Santiago, El Baile Diminuto vai ser lançado. E deve ganhar asas e ir longe. Porque é uma daquelas obras: bem escrita, ilustrada por Sole Poirot e lindamente impressa!

Mas como ir ao Chile e voltar não é tão simples assim, navegue pelo site e vá direto para as ilustrações e para o texto da Aranha. Eu, aqui, fico com a dança completa. E até cedo um passo para quem quiser ver mais. Basta deixar um comentário que a gente sai espalhando esse baile para o mundo todo! Que, imagino eu, María ficaria feliz da vida ao saber que a história desses seres vem ganhando novas terras.

Galeria de ilustrações

18 jul

Parece uma vitrine. A diferença é que você pode tocar em muita coisa, olhar bem de pertinho, quase encostar o nariz. Para quem está em São Paulo, um passeio obrigatório é o do Sesc Belenzinho. A exposição Linhas de histórias – Um panorama do livro ilustrado no Brasil prova como a literatura infantojuvenil vem se sofisticando cada vez mais, desde os anos 1970.
Visitei a mostra no sábado e recomendei no blog do Estadinho.

Quer saber mais sobre o livro ilustrado? A francesa Sophie Van der Linden dá uma aula em Para Ler o Livro Ilustrado e Alan Powers não deixa por menos em Era Uma Vez Uma Capa, meu primeiro post.

Não é qualquer coisa

26 mai

Lembra do Jack Henderson, o garoto de seis anos que vende desenhos na internet pra pagar o tratamento de câncer do irmão? Ele foi notícia há três semanas e voltou hoje a chamar a atenção. O site Jack Draws Anything (que tem desenhos lindos e superexpressivos) recebe doações e várias encomendas. Mas a melhor oferta veio de uma editora. “Ele acaba de assinar um contrato com a editora internacional de livros infantis Hodder Children’s Books. O livro, que tem publicação prevista para o dia 6 de outubro, reunirá uma seleção de desenhos de Jack, e os lucros obtidos com a venda serão destinados à Sick Kids’ Friends Foundation” na matéria BBC/Estadão. Olha que coisa boa!

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