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Boneca de barro

28 nov

Cenário de vilarejo, ano de 1964. Foi em Cochiti Pueblo, Santa Fé, que a ceramista Helen Cordero criou um boneco de cerâmica rodeado por crianças. O homem de barro foi inspirado em seu avô, um excelente contador de histórias chamado Santiago Quintana, o homem que vivia para preservar a cultura popular. A coisa foi passando de mãos em mãos até que nasceu a ‘Singing Mother’, esta bonequinha aí de cima, um dos maiores símbolos da contação de história.

E o nome da Helen é ainda hoje sinônimo de uma arte popular que ultrapassou todo tipo de fronteira para se manter viva. Claro que a cultura da cerâmica sempre foi uma tradição no vilarejos, desde muito tempo atrás. Fato é que a Helen assumiu uma figura que dialoga com a arte de contar histórias, que liga completamente uma coisa a outra. E a bonequinha passou a ser feita por muitas pessoas, gente que nunca nem tinha colocado as mãos no barro!

Da tradição oral, história passada de boca em boca, tantas lendas preciosas, rimas, cordéis, contos populares. Escrevê-los, portanto, era uma forma de registrá-los e garantir que nunca, nunquinha, os personagens pudessem se perder no tempo.

O livrinho The Storyteller (Mary Packard) tem uma coleção de antigas histórias, preservadas e contadas aqui por antropólogos, historiadores e escritores que tiveram contato com povos indígenas. É coisa linda em nove capítulos escritos em inglês e que, para melhorar, vem numa caixa com a tal da boneca! Presente de aniversário de uma amiga que vive a contar histórias! E que eu, certamente, não podia deixar de passar adiante. Exatamente como essa cultura deve ser!

Memória. Quando criança, minhas férias eram no interior, rodeada por primos. E essa boneca poderia ser minha avó Belíria, que engatava deliciosas e assustadores histórias do sítio em que ela cresceu. Pasmada, me lembro de manter os olhos fechados na hora da bola de fogo que corria o pasto e sumia no horizonte. Rapidamente, cobria meus pés com medo de um espírito puxar meu dedão. E puxava! Não o espírito, mas meus irmãos! Cada susto, coisa boa de lembrar!

Kombi, minha primeira ilustração

2 nov

Faz tempo que ensaio me arriscar no desenho, naquele feito de traço fofo e infantil, uma coisa meio kawaii e que eu amo, amo. Pois foi isso que fiz hoje! Inspirada no livro Illustration School – Let’s Draw Cute Animals, coloquei no mundo meu primeiro personagem ilustrado!

O Kombi ainda tá meio quadrado, suas orelhas podem crescer um pouco e, quem sabe, as pernas serem mais parecidas. Só que neste momento é isso o que temos. Acho que ele não vai se importar se eu passar alguns dias mudando um pouco sua aparência e até trocando essa coleira de peixe por algo mais charmoso. Ele me parece simpático e tem focinho de coração, ou seja, vou ficar amiga dele e ver no que dá!

Sobre desenhar, é uma pena que a gente cresça e substitua totalmente o desenho pela escrita. Desenhar é nossa primeira linguagem, forma de comunicação. É quando a gente coloca coisas para fora, se expressa (fazendo sentindo ou não), trabalha toda a imaginação e cria no papel um mundo cheio de possibilidades. Se fôssemos mais estimulados nas escolas (não só quando pequenos) talvez pudéssemos fazer as três coisas muito bem: desenhar, ler e escrever.

Durante os dois anos que passei no Estadinho, a parte mais gostosa do trabalho sempre foi abrir os envelopes que chegavam com desenhos. E depois ficou ainda melhor quando criamos um flickr para poder publicar as inúmeras obras de arte que pipocavam em nossas mesas. Aliás, eu recomendo uma visita ao flickr diariamente. Se você gosta de desenho infantil, ele é um acervo lindo e inédito, uma coleção de cor e sensibilidade!

Sobre o livro que me inspirou (esse aí de cima), indico ele e os outros dois títulos da artista Sachiko Umoto (pessoas felizes e plantas e pequenas criaturas). São incríveis, fáceis de seguir e cheios de delicadeza e humor.

Ah, só como registro, o post vai para a Baleia, a cachorra mais linda e incrível do mundo, que me aprontou essa quando eu estava de partida:

 

Agora é um livro de dedoche

28 out

No embalo de contar histórias com os dedos, tá aqui a dica da Laura Teixeira, outra ilustradora que eu admiro pacas – foi ela que postou o Fortune Books #2 no mural do facebook.

O Fortune Books #2, “a book with a cookie inside” é um livrinho artesanal de oito páginas, 150 impressões, dos autores Antonio Ladrillo e Michael Swaney. Custa 4 euros e é divertido demais! A primeira versão do projeto, aliás, tá imortalizada no Issuu, dá só uma olhada!

Além dessas duas invenções, a Éditions du livre trabalha com um bocado de coisas,  formatos diferentes e ideias malucas para livros. Para quem está em Paris (alô, Tarta!), tem festa no dia 13 de novembro:

Uma carta, várias histórias

24 out

A Tartaruga Feliz é uma amiga inspiradora. O blog dela é ótimo, o trabalho é incrível, ela ilustra e cria com tanta intuição e leveza que fica impossível olhar algo dela e não sorrir. Mas desta vez ela foi ainda mais longe com seu novo estúdio de videogame e seu primeiro bebê, ainda em beta.

No Card Stories, a ideia é jogar com a imaginação, criar. E funciona de um jeito muito fácil e divertido. Para ter acesso é só fazer um registro ou usar as informações do facebook e ir direto para o jogo. A tela inicial já é bem convidativa!

Entrou? O próximo passo é escolher uma carta e dar a ela uma narrativa, com base na ilustração, mas sem ser muito literal. Aí está toda a graça: cada carta pode representar mil histórias. E você pode passar uma tarde toda só fazendo isso. No entanto, a brincadeira não para aqui. Online, você tem a opção de convidar seus amigos para o jogo e brincar de adivinhar a carta, com base na história. Aí é um dia todo na frente do computador, facinho!

Então a gente tem um jogo inédito, divertido, criativo, interativo e cheio de ilustrações lindas e inspiradoras. Mais uma arte da Tartaruga e sua turma! Clique aqui para conhecer melhor o projeto e divirta-se!

Dedoche de vida selvagem

20 out

Crianças adoram imitar animais, inventar histórias com eles, fazer de conta que são bichos que não existem, criaturas fantásticas. Faz um tempo, eu comecei a criar algumas na minha cabeça e dar personalidade para elas. Depois, isso ficou meio de lado até que semana passada eu voltei a pensar no assunto. Já estou matriculada em aulas de tricô e crochê pra ver se consigo transportar alguma pra linha. Vamos ver no que vai dar…
Eita que hoje essas quatro figuras aí de cima pularam na minha tela, e eu adorei! É só baixar o PDF aqui, recortar e brincar de criar histórias a partir das ilustrações. São nativos da Austrália, o que faz do site de onde eles vêm ainda mais fofo. Depois de apresentá-los, a dona deles conta um pouco sobre cada um. E ainda relaciona algumas publicações antigas bem legais. Ou você já pensou, alguma vez, em jogar um dado de bicho e brincar com sons e movimentos a partir do resultado? Tá aqui, ó!

Abriu a porteira

1 abr

Reprodução

O Mundo do Sítio entrou no ar hoje. Mas se este é um blog de arte e histórias infantis, o que uma rede social está fazendo aqui? Bem, já ganhou só por ser um espaço virtual dedicado ao escritor Monteiro Lobato. Acontece que esse quintal da internet não tem só jogos e brincadeiras. Ele também é um espaço de contação, em que as histórias do Sítio são narradas pela atriz Denise Fraga (e é uma delícia porque ela lê como se estivesse contando para os filhos).

Como a coisa funciona? Você faz cadastro, cria seu avatar e bora brincar com a Emília. De cara, você ganha uma casa na árvore. Pode passar pelo Reino das Águas Claras e escolher algumas das 20 brincadeiras (educativas) até se mandar para a biblioteca do Visconde, cheia de livros com ilustrações animadas e trilha própria. Dá para ler, ouvir ou acompanhar a narração com legendas sublinhadas. E no final visitar o museu para ver as curiosidades sobre a vida do escritor.

Acho que, desta vez, a frase dele “Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar” vai pegar.

Tá na capa

26 mar

Sem artifício ou malícia, me pego de olho em tudo que é ilustração. E misturo minha vontade de brincar com as palavras com a frase-brincadeira de muitos designers por aí. “Quero saber da imagem, e só”. Fato é que só não sou designer frustrada porque gosto demais do que faço, obrigada. Mas a arte, os tipos e toda essa mistura de composição trazida pela imagem tocam meu coração.

Depois de meses enrolando a mim mesma, coloco no ar este humilde blog, que por enquanto não tem pretensão sequer de ser um espaço de discussão sobre a literatura infantil – aberto, inclusive, às crianças. Claro que vou adorar saber que alguém se interessa pelas coisas que escrevo. Mas minha ideia é guardar o que vejo, fazer uma espécie de pasta-sanfona digital, vez que minha cabeça já não funciona, há tempos, como eu gostaria.

De agora em diante, vai ser assim. Vou contar o que vejo e penso de modo categórico, mas sempre com emoção. São elas as minhas estantes:

  • Marca-livro (só uma nota, coisa rápida para lembrar)
  • Audiobook (é audiobook, né?)
  • Contos de fadas (porque merecem um espaço só para eles)
  • Eu só queria contar (coisa pouca)
  • Filme de livro (uma coisa leva à outra)
  • Fotografia (minha arte preferida, depois da ilustração)
  • Ilustração (cada vez melhor)
  • iPad (o que tem por aí)
  • Já contei por aí (matérias, entrevistas, textos e afins que já publiquei)
  • Lançamentos (porque é bom saber)
  • Livro digital (iPad e outros)
  • Resenhas (quando eu estiver mais séria)
  • Videobook (tem bons por aí?)
  • Você me conta (quer falar de um livro? eu publico! / entrevistas também cabem aqui!)

Sabendo disso, deixa eu esclarecer a capa do meu post de estreia. Sempre me interessei por arte. O trabalho, como repórter de Visuais, no Estadão, impulsionou e muito essa prática. Até que, mais uma vez, o trabalho me jogou para um outro lado que tinha tudo a ver com isso: as crianças. Fui parar no Estadinho e, com a proposta de ajudar a desenvolver seu novo projeto gráfico e editorial, acabei descobrindo meu mundo: o diálogo entre a arte e literatura infantil.

O livro Era uma vez uma capa merece abrir minha biblioteca de posts justamente por ter sido escrito por um professor inglês  de design chamado Alan Powers, que resolvou mostrar a inserção entre texto e imagem nos livros publicados para o público infanto-juvenil. Bingo!

São 200 anos de história e mais de 400 títulos comentados (sinopse, papel, encadernação, diagramação, tipologia, coloração, uau!) que, muito mais do que um panorama, é um registro histórico e cheio de referências e repertório para levar no bolso – pena que mede quase 30 cm e tem 144 página – pena? Bem…

No site da Cosac, há uma entrevista de 2008, em que Powers conta como foi produzir essa bíblia. Vale a pena ver como o cara pensa e, claro, separar sua nova edição de cabeceira.

(eu tenho esse livro desde que foi lançado no Brasil. Mas lembrei de como é importante ontem, durante minha aula de Arte e Literatura Infantil).

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