Cenário de vilarejo, ano de 1964. Foi em Cochiti Pueblo, Santa Fé, que a ceramista Helen Cordero criou um boneco de cerâmica rodeado por crianças. O homem de barro foi inspirado em seu avô, um excelente contador de histórias chamado Santiago Quintana, o homem que vivia para preservar a cultura popular. A coisa foi passando de mãos em mãos até que nasceu a ‘Singing Mother’, esta bonequinha aí de cima, um dos maiores símbolos da contação de história.
E o nome da Helen é ainda hoje sinônimo de uma arte popular que ultrapassou todo tipo de fronteira para se manter viva. Claro que a cultura da cerâmica sempre foi uma tradição no vilarejos, desde muito tempo atrás. Fato é que a Helen assumiu uma figura que dialoga com a arte de contar histórias, que liga completamente uma coisa a outra. E a bonequinha passou a ser feita por muitas pessoas, gente que nunca nem tinha colocado as mãos no barro!
Da tradição oral, história passada de boca em boca, tantas lendas preciosas, rimas, cordéis, contos populares. Escrevê-los, portanto, era uma forma de registrá-los e garantir que nunca, nunquinha, os personagens pudessem se perder no tempo.
O livrinho The Storyteller (Mary Packard) tem uma coleção de antigas histórias, preservadas e contadas aqui por antropólogos, historiadores e escritores que tiveram contato com povos indígenas. É coisa linda em nove capítulos escritos em inglês e que, para melhorar, vem numa caixa com a tal da boneca! Presente de aniversário de uma amiga que vive a contar histórias! E que eu, certamente, não podia deixar de passar adiante. Exatamente como essa cultura deve ser!
Memória. Quando criança, minhas férias eram no interior, rodeada por primos. E essa boneca poderia ser minha avó Belíria, que engatava deliciosas e assustadores histórias do sítio em que ela cresceu. Pasmada, me lembro de manter os olhos fechados na hora da bola de fogo que corria o pasto e sumia no horizonte. Rapidamente, cobria meus pés com medo de um espírito puxar meu dedão. E puxava! Não o espírito, mas meus irmãos! Cada susto, coisa boa de lembrar!













