
Capa "cortada": o resto da frase fica pra dentro do projeto, que é bem vertical e mantém duas superorelhas/ Reprodução
bili belisa bilíada achava que a vida não estava legal por isso saiu por aí atirando um limão nas coisas que voltavam pra ela como se fossem bumerangues que saco a vida menina de 13 anos não via graça no ônibus que passava quase vazio na rua na tarde de outono na bicicleta do quadro uma mulher o filho no colo que tinha um dois três quatro soldados do outro lado um menino de skate sem ponto pausa vírgula texto nonsense esse tal de décio pignatari poeta de 82 anos curitiba cidade escolhida pra viver e escrever pouco um livro incrível e o projeto gráfico maravilhoso que ano passado lançou o que escrevia desde os anos 60 esse homem do concreto amigo e contemporâneo de augusto de campos haroldo fez prosa e não poesia conto de fadas um rito de passagem da menina que vira moça e vê o mundo assim não muito legal até que no final se cansa das coisas que a seguem e vira e diz leva eu.
Respira fundo. O livro Bili com Limão Verde na Mão (Cosac) é uma leitura deliciosa que começa assim, esticada e perfeita, vez que as palavras escolhidas pelo poeta se encaixam (muito mais que as minhas) no tempo certo ainda que não haja qualquer sinal de pontuação. Assim são as duas primeiras páginas pretas em que Bili explica, um pouco cansada da vida, o que passa.
E o livro segue com grafismo, geometria e páginas dobradas, do começo ao fim. O texto nonsense remete a uma loucurinha, uma viagem que invade o mundo do faz de conta, o que não existe de fato para Bili, mas ela vê, sente.
Um livro infantil de poesia para adulto? Talvez. Uma linguagem experimental com projeto visual ousado? Certamente. Para crianças que viajam com Alice e sonham com o pó mágico de Lobato? Sim, para todos que adoram o mundo encantado da escritura, opa!
A partir de: 8 anos


