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De Londres, a Frances Lincoln

18 dez

Caterina Favaretto entre Janet e Holly!

O sumiço eu já explico: passei três semanas estudando uma das editoras de livros infantis mais legais do Reino Unido. Já fiz outras matérias desde que cheguei em Londres, mas essa era especial e pedia um raio-x dos 34 anos de uma empresa. É por isso que comemoro a publicação com um sorrisão no rosto. Afinal, foram dias em cima de textos e catálogos, horas de entrevista, cafés e chás. E tudo com a ajuda de uma pessoa muito doce e gentil chamada Caterina Favaretto, gerente de Foreign Rights (não tem palavra em português que seja equivalente ao trabalho dela, sério!) da Frances Lincoln.

Começa assim:

Da estação de metrô Kentish Town à sede da Frances Lincoln são cinco minutos de caminhada por uma via tranquila e de casinhas originalmente inglesas: tijolos vermelhos à vista, jardim na porta, janela para a rua, nada de portão. A entrada da editora é  bastante convidativa. A ruela desemboca numa charmosa vila, onde uma construção se esparrama na horizontal para abrigar diferentes tipos de negócio.

A Frances Lincoln fica no número 4 da Torriano Mews, no norte de Londres – região que adotou na maior parte dos seus 34 anos de existência. Ali na vila, 40 funcionários e alguns freelancers trabalham para que a editora publique em média 150 títulos por ano, dos quais 100 são para o público adulto e 50 para o infantil. E assim faturar £7 milhões por ano – ou cerca de R$ 20 milhões.

Vá para a Emília e leia a reportagem completa.

Livros para começar

23 nov

Aqui no Reino Unido, toda criança tem direito a um pacote de livros grátis. Funciona assim: se o pediatra não entregar, os pais podem solicitar na biblioteca pública mais perto de casa. E depois, entre três e quatro anos, pouco antes de a criança entrar na escola, um novo pacote é entregue. Tudo para ajudar a família a explorar a leitura em casa. Além dos livros, tem dicas e uma espécie de clube online para reunir atividades e interesses.

Foi sobre isso que eu falei na Revista Emília. Clique aqui para ler.

Emília

4 out

Você conhece a Revista Emília? É uma iniciativa de pessoas corajosas e loucas por leitura e literatura infantojuvenil. Juntas, elas criaram uma publicação digital para promover o assunto, formar leitores e mostrar o que há de qualidade nos livros para crianças e jovens. É, digamos assim, um lugar que você não pode deixar de visitar.

Aqui de Londres, entre uma pesquisa e outra, eu fico bastante feliz em dizer que faço parte do quadro editorial da Emília. Aos poucos os textos vão aumentando, mas recentemente eu publiquei um panorama sobre iPads. Dá uma olhada lá e aproveita para devorar todas as outras seções. Tá tudo bem fresquinho!

Com as mãos na lua

8 mai

Saiu ontem no Estadinho de papel uma minientrevista (essa aí de cima) que eu fiz com a autora e ilustradora Janaina Tokitaka. Como o espaço era pequeno, resolvi usar as “folhas” do blog para publicar o que não saiu no papel. É uma conversa com a autora de Coelhos Lunares e de outros ótimos livros que eu adoro. Quase sempre com aquarela e nanquim, seu traço é divertido, os personagens, expressivos. Mas o que mais me encanta nesse último livro é o fato de ele ser sobre uma tradicional lenda japonesa de outono.

Clique aqui  para ler direto no blog do Estadinho, onde há mais um bocado de coisa legal para as crianças.

Mundo de cor

5 abr

Histórias sem palavras também costumam chamar minha atenção. E quando penso nisso, junto “ilustração + criança” e tenho dois nomes: Keith Haring e Marcelo Cipis. Claro que há muitos outros bons artistas que fazem isso por aí. Estou usando apenas minha memória de afeto.

No caso do Keith, eu acho incrível como suas formas inspiraram uma série de gente da cena urbana. Mas acho mesmo sensacional a forma como ele vê a criança e faz com que ela enxergue sua obra (construir uma narrativa a partir de uma obra de arte é delicioso e eu recomendo!).

(Sobre a foto abaixo, frases de duas crianças entrevistadas por mim / Trecho da matéria sobre Keith Haring, publicada originalmente no Estadinho do dia 31/7/10).

Reprodução

“Vejo uma pirâmide. Acho que é feita de queijo e todo mundo está ali para comer. Ou é uma pirâmide que parece que é uma puma e todo o mundo quer matar. E um monte de alienígena quer pegar.”
Pedro Vergara Rocha, 12 anos

“Olha só, tem dois discos voadores destruindo as pirâmides egípcias e mostrando sua força!”
Pedro Henrique Bonadio Ramos Miguel, 11 anos

E como eu ia dizendo…  Keith desenhava quadrinhos pela casa desde pequeno. Cresceu, saiu pintando o metrô de Nova York, as ruas de vários países, mas nunca deixou de ser criança. Sua ligação com o mundo infantil é tão grande que há várias fotos e relatos do artista criando ao lado de crianças – sempre com traços simples, muitas vezes geométricos e quase sempre coloridos, por de mais. Ele gostava tanto disso que em seu site há uma seção Kids, onde é possível colorir seus próprios desenhos.

Reprodução

Conheço dois livros do Keith para as crianças que são bem legais. Este aí de cima,  Ah, Se a Gente Não Precisasse Dormir, é sobre a história dele e a arte pop urbana. Conta como ele começou, explica um pouco o graffiti e faz interpretações de suas obras. Perfeito se você quiser saber mais sobre o artista e passar minutos pirando no significado das pinturas.

Reprodução

Porém, se for para ter acesso a um baú de histórias do jeito que Keith gostava, O Livro da Nina para Guardar Pequenas Coisas é a coisa mais legal do mundo, pois as aventuras ali têm outro sabor. Nina é uma garota sem começo, meio e fim. E o livro é um diário que recolhe de flocos de neve a trevo de quatro folhas e papéis de bala. Cada coisa tem seu nome, seu valor. Nina, na verdade, é filha do pintor italiano Francesco Clemente, que era amigo de Keith. E foi de presente de aniversário de 7 anos que o artista resolveu entregar a obra à garota, como um diário personalizado com adesivos, fotos e lembranças. Daí surgiu a ideia de “recriá-la”, fazendo um fac-símle que chegou às livrarias pela Cosac, a mesma do primeiro livro.

Reprodução

Devo dizer que me empolguei aqui e, portanto, vou deixar o Cipis para o próximo post. Mas antes, quero começar uma outra história e registrar que  vejo abaixo um ritual da fertilidade ou uma comemoração mexicana (por causa do sombreiro) realizada no Dia das Mães! E você?

Reprodução

 

E o iPad, hein?

31 mar

Há dois meses que eu escrevi para o Estadinho sobre os tablets e os livros disponíveis para crianças. De lá pra cá, tenho acompanhado as novidades e, embora este seja o ano dos e-books (várias editoras apostam em projetos), ainda há pouca coisa no mercado brasileiro e, principalmente, em português. Na época, pesquisei no iTunes e na loja da Amazon (além de vários outros sites) por mais de 10 horas. Consegui listar algumas coisas bacanas, como o livro A Menina do Narizinho Arrebitado que, até agora, é a melhor produção infantil no que se entende de tablet – na versão lite, há várias surpresas e brincadeiras de tela (com peixinhos que você arrasta, letras para embaralhar, foco de luz que surge com o toque dos dedos e mais um monte de fofuras). Ah, sim, estou esperando a versão do Quem Soltou o Pum, que falei há pouco.

Lance é que em inglês a coisa melhora bastante. E só estou falando do idioma, sem entrar no mérito que se você tem iPad e uma caixa-postal americana, o número de livros e apps disponíveis na loja regional dos Estados Unidos é incomparável ao do Brasil. E pra entender melhor isso, você pode ler o texto que o Gui Werneck fez para o mesmo Estadinho.

O que tem de mais legal em inglês? Bom, deixando de lado Alice, Toy Story e outros modelos, vou falar de duas coisas que eu adoro (e as crianças também). A primeira é a Dinopedia, uma enciclopédia de dinoussauros da National Geographic, que é o máximo. Estão catalogados 700 dinos e todas as respectivas informações. Quer saber o que eles comem, quanto eles medem, o que costumam fazer? Tá tudo lá. Mas a parte mais curiosa é que você pode formar uma família de dinossauros, de acordo com a sua, só arrastando os personagens de um lado pro outro. As ilustrações são reais, é tudo bem bonito, viu? E só custa US$5,99. Olha aí:

Agora, se tratando de um dos meus livros favoritos, seria difícil mesmo que eu não me encatasse com Como Treinar o Seu Dragão. Eu acho que, na verdade, Cressida Cowell é uma espécie de feiticeira que vive em algum castelo medieval. Acho que ela passa o dia vendo batalhas vikings e trabalhos manuais para tirar daí todas as receitas do mundo – uma delas é como escrever bem para crianças e a outra é como transformar um garoto chamado Soluço no maior herói de um povo bárbaro. Bem, vou falar mais sobre a série de oito livros a qualquer momento. Por enquanto, fica o registro da versão pro iPad (que não é uma maravilha em recursos), mas funciona muito bem para quem quer apenas ler a história, só quer ouvir a narração ou quer ver cada imagem belíssima, como se fosse um álbum. E por menos de US$1.

 

(A foto do case lá em cima, bem bonitinho, eu achei no Pinterest) E, por favor, quem tiver dicas de outros bons livros infantis que estão sendo pensados pra tablets, em qualquer lugar do mundo, pode me avisar.

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