Histórias sem palavras também costumam chamar minha atenção. E quando penso nisso, junto “ilustração + criança” e tenho dois nomes: Keith Haring e Marcelo Cipis. Claro que há muitos outros bons artistas que fazem isso por aí. Estou usando apenas minha memória de afeto.
No caso do Keith, eu acho incrível como suas formas inspiraram uma série de gente da cena urbana. Mas acho mesmo sensacional a forma como ele vê a criança e faz com que ela enxergue sua obra (construir uma narrativa a partir de uma obra de arte é delicioso e eu recomendo!).
(Sobre a foto abaixo, frases de duas crianças entrevistadas por mim / Trecho da matéria sobre Keith Haring, publicada originalmente no Estadinho do dia 31/7/10).

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“Vejo uma pirâmide. Acho que é feita de queijo e todo mundo está ali para comer. Ou é uma pirâmide que parece que é uma puma e todo o mundo quer matar. E um monte de alienígena quer pegar.”
Pedro Vergara Rocha, 12 anos
“Olha só, tem dois discos voadores destruindo as pirâmides egípcias e mostrando sua força!”
Pedro Henrique Bonadio Ramos Miguel, 11 anos
E como eu ia dizendo… Keith desenhava quadrinhos pela casa desde pequeno. Cresceu, saiu pintando o metrô de Nova York, as ruas de vários países, mas nunca deixou de ser criança. Sua ligação com o mundo infantil é tão grande que há várias fotos e relatos do artista criando ao lado de crianças – sempre com traços simples, muitas vezes geométricos e quase sempre coloridos, por de mais. Ele gostava tanto disso que em seu site há uma seção Kids, onde é possível colorir seus próprios desenhos.

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Conheço dois livros do Keith para as crianças que são bem legais. Este aí de cima, Ah, Se a Gente Não Precisasse Dormir, é sobre a história dele e a arte pop urbana. Conta como ele começou, explica um pouco o graffiti e faz interpretações de suas obras. Perfeito se você quiser saber mais sobre o artista e passar minutos pirando no significado das pinturas.

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Porém, se for para ter acesso a um baú de histórias do jeito que Keith gostava, O Livro da Nina para Guardar Pequenas Coisas é a coisa mais legal do mundo, pois as aventuras ali têm outro sabor. Nina é uma garota sem começo, meio e fim. E o livro é um diário que recolhe de flocos de neve a trevo de quatro folhas e papéis de bala. Cada coisa tem seu nome, seu valor. Nina, na verdade, é filha do pintor italiano Francesco Clemente, que era amigo de Keith. E foi de presente de aniversário de 7 anos que o artista resolveu entregar a obra à garota, como um diário personalizado com adesivos, fotos e lembranças. Daí surgiu a ideia de “recriá-la”, fazendo um fac-símle que chegou às livrarias pela Cosac, a mesma do primeiro livro.

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Devo dizer que me empolguei aqui e, portanto, vou deixar o Cipis para o próximo post. Mas antes, quero começar uma outra história e registrar que vejo abaixo um ritual da fertilidade ou uma comemoração mexicana (por causa do sombreiro) realizada no Dia das Mães! E você?

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Tags:arte, colorido, cores, E se a gente não precisasse dormir, histórias, ilustração, Keith Haring, Nina, O livro de Nina para guardar pequenas coisas, picture-book, pintura, urbana